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Disco a Disco: Arctic Monkeys

Artic Monkeys

Alex Turner e Matt Helders se conheceram aos sete anos, quando ainda estavam no ensino fundamental. Amigos instantaneamente, a dupla começou a se relacionar com a música bem cedo, chegando a apresentar uma versão de “Morning Glory” do Oasis em raquetes de tênis em um evento da primeira série.

Ainda crianças, os amigos, que moravam no mesmo bairro, conheceram Andy Nicholson, que no ensino médio os apresentou ao hip hop. O trio passava tardes ouvindo discos de Dr. Dre e Outkast. Quando um dos vizinhos de Turner, Jamie Cook, os apresentou ao Queens Of The Stone Age, o grupo sentiu a necessidade de tocar por conta própria.

Inspirados por esta gama de artistas e a ascensão do The Strokes na Inglaterra, os garotos começaram a pedir instrumentos musicais aos pais. Aos quinze anos, Alex e Jamie ficaram com as guitarras, Andy com o baixo, e Matt na bateria, já que “não sobrava mais nada. Quando começamos a banda, ninguém tocava nada. Chegou uma hora em que eu comprei um kit de bateria”, declarou Helders em entrevista de 2005.

No início, os britânicos tocavam músicas sem sentido, mas após presenciar uma performance de John Cooper Clark no bar “The Boardwalk”, Turner começou a escrever as próprias letras, inspirado pelo estilo do poeta inglês.

Assim nasceu o Arctic Monkeys, batizado pelo guitarrista Jamie Cook, em 2002; e mais de dez anos e cinco discos depois, a banda já é considerada entre as maiores e melhores da história.

Relembre a carreira do quarteto abaixo, disco a disco:

“Whatever People Say I Am, That’s What I Am Not” (23 de Janeiro de 2006)

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Os quatro garotos de Sheffield começaram a ensaiar nas garagens de Turner e Helders. Jill Helders, a mãe de Matt, chegou a declarar que a banda “parava imediatamente se soubesse que alguém estava lá, então [para ouvir], você tinha que se esconder”. Se encontrando três vezes por semana, o quarteto ensaiou por um ano inteiro antes de se apresentar pela primeira vez para um público. O show ocorreu no bar The Boardwalk, onde Turner trabalhava como bartender durante a faculdade.

Nesse meio tempo, utilizando as composições de Alex, a banda gravou 18 canções inéditas, que distribuíam em CDs após suas performances. Esta “demo” ficou conhecida como “Beneath The Boardwalk” pelos adolescentes que a adquiriram na época, e os amigos da banda começaram a distribuir o material pela internet. Assim, os shows dos britânicos começaram a ficar cada vez mais cheios, e as pessoas já chegavam sabendo a letra de cor – vale lembrar que, em 2004, a única maneira de escutar música online era através de downloads ilegais.

Duas destas canções foram parar no EP “Five Minutes With The Arctic Monkeys”, de 2005 – “Fake Tales Of San Francisco” e “From The Ritz To The Rubble”. O mini álbum chamou a atenção da Domino Records, que pouco tempo depois ofereceu um contrato para os garotos.

Após o contrato, a banda foi ao estúdio novamente (desta vez acompanhados do produtor Jim Abbiss), e regravou a maior parte de suas músicas. Treze faixas foram escolhidas para integrar “Whatever People Say…”, que teve seu título tirado do romance “Saturday Night and Sunday Morning”, de Alan Sillitoe.

O primeiro single oficial do material foi “I Bet You Look Good On The Dancefloor”, que estreou em primeiro lugar na parada britânica, abrindo espaço para o grande sucesso que o álbum completo traria à banda no ano seguinte. O disco acabou estrando no topo no Reino Unido após seu lançamento em janeiro de 2006, vendendo 360.000 cópias em uma semana, tornando-se o LP de estreia de uma banda mais vendido da história no país.

“Whatever People Say…” ainda lançou mais um single número um, “When The Sun Goes Down”, que já era conhecido entre os fãs do quarteto como “Scummy” desde a época de “Beneath The Boardwalk”.

A partir daí, o sucesso foi inevitável para os britânicos, que começaram a viajar a Europa promovendo o material. As composições espertas de Turner somadas ao talento do restante da banda tornou o quarteto imbatível, saindo em todas as listas de “Melhores do Ano” de publicações prestigiadas e lotando shows por toda a parte. Quando chegou a hora de atravessar o Oceano Atlântico e começar a se promover na América, ocorreu o primeiro estresse do grupo.

Andy decidiu se afastar de suas atividades antes da turnê dos EUA, por fatiga. Alex então chamou o amigo de faculdade Nick O’Malley, que na época tocava na banda de garagem The Dodgems, para assumir o posto de Nicholson. Nick aprendeu as músicas em dois dias, e saiu em turnê mesmo após quebrar a mão durante uma brincadeira. Em 20 de junho, um mês após o início da excursão americana, a banda anunciou que Andy não voltaria mais ao AM a pedido dos integrantes. Matt declarou que “depois de ir para a América com Nick, não tinha mais sentido voltar a como éramos antes”.

“Favourite Worst Nightmare” (23 de Abril de 2007)

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No final de 2006, a banda retornou ao estúdio para gravar o segundo disco; desta vez, com Nick O’Malley no baixo e os produtores James Ford e Mike Crossey.

Este foi o primeiro momento em que Alex compôs faixas mais sentimentais e obscuras, como “505” e “Do Me A Favour”, mas a maior parte do disco ainda foi rápido e detalhado. Isto fica claro em “D Is For Dangerous”, a faixa que dá o título ao álbum (“you’re his favorite worst nightmare” faz parte do refrão da canção).

O material foi gravado rapidamente, devido à ansiedade dos garotos em voltar aos palcos. Artistas como Miles Kane contribuíram nas gravações do álbum – o músico contribuiu na 12ª faixa, “505”.

Apesar da pressa, o LP acertou em cheio tanto no gosto do público quanto da crítica. “FWN” disparou para o topo da parada britânica em sua semana de estreia, e recebeu inúmeros elogios das publicações internacionais.

O carro-chefe foi “Brianstorm”, mas o segundo single, “Fluorescent Adolescent”, levou os britânicos a uma popularidade sem precedentes por todas as partes do mundo. A letra ousada foi composta por Alex em parceria com sua namorada na época, Johanna Bennett (hoje casada com Matthew Followill, do Kings Of Leon), quando estavam brincando com um jogo de palavras em um quarto de hotel.

O disco ainda estreou no top 10 nos Estados Unidos, apresentando os resultados da extensa turnê dos ingleses pelo país, e acabou ganhando o prêmio de “Melhor Álbum Britânico” no prestigiado BRIT Awards de 2008.

“Humbug” (18 de Agosto de 2009)

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No final de 2008, a banda já estava ansiosa pelos próximos passos. Os músicos começaram a compor para um novo projeto depois que o vocalista teve ideias de riffs durante o festival Latitude, em Suffolk. Todas as músicas acabaram sendo escritas ainda em 2008, enquanto o quarteto estava em turnê.

Desta vez, os britânicos escalaram um de seus ídolos da adolescência para a produção do disco. Josh Homme, do Queens Of The Stone Age, levou os garotos para Los Angeles, onde ocorreu a gravação de todo o álbum (com o auxílio parcial de James Ford, antigo colaborador dos músicos).

A influência de Homme no material é bastante clara: as letras continuam no estilo conversacional de Turner, mas musicalmente, a banda parecia repaginada, abusando de uma sonoridade mais “obscura” e utilizando instrumentos que ainda não haviam explorado – como o xilofone e o teclado, que aparece em quase todas as canções do LP (Alex gravou todos os pianos presentes no disco, menos os que aparecem nas músicas de trabalho; estas foram tocadas pelo tecladista de turnê John Ashton).

O primeiro single escolhido foi a ousada “Crying Lightning”, o que logo causou estranhamento nos fãs da banda. Alvo de muitas críticas na época pelo impacto da mudança na sonoridade do AM, Homme foi à imprensa se defender. “Acho que há um erro em dizer que eu os deixei mais lentos ou mais estranhos quando trabalhamos juntos. Eles já jogam este perigoso jogo de mudar a cada álbum há um tempo”, disse o músico à NME.

Depois de finalizado, o material foi intitulado “Humbug” em homenagem ao doce bastante popular na Inglaterra, geralmente com sabor de menta em formato redondo, com listras verticais pretas e brancas. O carro-chefe do álbum inclui várias referências à doces, combinando com a temática do projeto.

Apesar da mudança e do estranhamento inicial, os seguidores do quarteto não deixaram que isso ficasse no caminho do sucesso dos britânicos. Na semana de seu lançamento, o disco chegou ao topo da parada do Reino Unido, revelando ainda singles como “My Propeller” e “Cornerstone”; a última ganhando um dos clipes mais despojados da carreira da banda, estrelado apenas pelo vocalista.

“Suck It And See” (6 de Junho de 2011)

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Nesse ponto, a banda de Sheffield já não tinha mais nada a provar. Apesar de terem obtido sucesso moderado com o terceiro disco, os britânicos já eram requisitados em festivais e premiações, acostumados com elogios da crítica e shows lotados, e seria natural e se quisessem parar por um instante para aproveitar as conquistas. Não foi o caso – ainda ansiosos por material novo, os artistas começaram a trabalhar no quarto álbum em 2010.

Turner teve as primeiras ideias enquanto compunha para a trilha sonora do filme “Submarine”, que ganhou um EP de cinco faixas compostas e interpretadas pelo vocalista. A faixa “Piledriver Waltz” é um exemplo de música que aparece no mini disco, e foi regravada pelo quarteto para o novo projeto.

Escalando apenas James Ford para o material, os músicos decidiram adotar uma abordagem diferente para as gravações. Sem overdubs e produção carregada, como em “Humbug”; o novo disco foi gravado em sessões ao vivo. A banda ensaiava as composições repetidamente para ter novas ideias, e gravava o resultado de uma vez só.

O resultado foi bastante diferente do som polarizado do último disco, e apesar de confirmar o amadurecimento e crescimento definitivos da banda, deixou os fãs e a crítica satisfeitos (principalmente pela predominância de guitarras, em um retorno às raízes do grupo).

Apesar de acertarem musicalmente, o título e a capa do disco criaram bastante polêmica pelo mundo. “Suck It And See” é uma gíria bastante britânica, inutilizada em outros países falantes de inglês. Traduzida literalmente, significa “chupe e veja”, mas é utilizada na Inglaterra como uma maneira de dizer “experimente”. É claro que isso causou alvoroço em países conservadores como os Estados Unidos. “Eles acharam rude, desrespeitoso. Colocaram até uns adesivos gigantes nas capas em algumas lojas americanas”, declarou Alex na época.

Mesmo com a polêmica, o álbum foi bem sucedido. Estreando no topo do Reino Unido e no top 15 estadunidense, o material lançou singles como “Don’t Sit Down ‘cause I’ve Moved Your Chair”, “Black Treacle” e a faixa título.

“AM” (6 de Setembro de 2013)

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O álbum mais bem sucedido e aclamado do quarteto começou por acidente. Em uma turnê exaustiva e a mais longa de sua carreira, o Arctic Monkeys se viu no início de 2012 abrindo shows do Black Keys nos Estados Unidos, e o material de “Suck It And See” já estava “saturado”.

Turner e O’Malley então escreveram “R U Mine?”, que foi lançada em 27 de fevereiro de 2012, e ganhou um clipe bastante espontâneo, gravado nos Estados Unidos antes de um dos shows de abertura da turnê do Black Keys. A música foi criada para ser um single avulso, mas inspirou algo diferente nos britânicos.

“Nós descobrimos algo durante as gravações desta música que achamos que valia a pena explorar”, declarou Alex em uma entrevista em 2013. E valeu mesmo. Novamente sob a guarda de James Ford, o quarteto entrou em estúdio para valer em agosto de 2012, e experimentaram com uma variedade maior de estilos, ritmos, letras, instrumentos e técnicas de gravação.

Diferente do último disco, todo o processo de gravação do álbum foi feito por partes, com o baixo e a bateria sendo finalizados primeiramente para dar ênfase às batidas, inspiradas no hip hop, tão presente na adolescência da banda. O disco trouxe também, de novo, uma colaboração de Josh Homme. O vocalista do Queens Of The Stone Age gravou uma participação vocal em “Knee Socks”, o momento “favorito” de Alex no material.

Entre as colaborações também se destaca “I Wanna Be Yours”. A faixa é, na realidade, um poema de John Cooper Clark, o poeta inglês que inspirou Turner a compor em sua juventude. Os versos são, literalmente, a poesia de Clarke, enquanto o refrão foi escrito por Alex como um complemento.

Todos os experimentos deram bem certo, e criaram não só o álbum mais coeso da carreira do grupo, mas também os maiores hits de sua carreira. “Do I Wanna Know?” foi a primeira música dos britânicos a entrar na parada Hot 100 americana, enquanto “Why’d You Only Call Me When You’re High?” entrou para o top 10 do Reino Unido, a primeira vez do quarteto numa posição tão alta desde “Fluorescent Adolescent”.

“AM”, intitulado como uma homenagem a “VU” do Velvet Underground, estreou no topo da parada britânica de álbuns, tornando a banda a primeira na história a ter os cinco primeiro discos a emplacar no primeiro lugar no país. O material também alcançou sua melhor colocação no ranking estadunidense, figurando em sexto lugar. Ao redor do mundo, o LP chegou ao topo em dez países, a era mais bem sucedida do grupo em vendas.

Como já era de se esperar, a crítica não cansou de elogiar o projeto, que ficou em primeiro lugar na lista de “Melhores do Ano” em 2013 para várias publicações. Esta foi também a era mais longa do grupo, lançando seis singles oficiais e percorrendo o mundo em uma turnê encerrada em novembro de 2014 no Rio de Janeiro.

 

Fonte: vagalume

 

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